Fábrica de Software – Software Factory

Uma definição em constante evolução

Muito se ouve falar sobre “Fábrica de Software”, mas realmente sabemos o significado desse termo? Quando pensamos em fábrica de qualquer tipo de segmento é comum lembrar-se de linhas de montagem, funcionários altamente especializados e produção em massa. Tudo isso faz muito sentido em boa parte das fábricas, como as de sapatos, automóveis e componentes eletrônicos, mas não tem grande valor quando nos referimos a software.

Sabemos que a produção de um software não consiste em procedimentos repetitivos e mecânicos, o desenvolvimento de um software consiste em projetar, criar e não em construir, ou seja, não seria interessante nem lógico querer desenvolver ou trabalhar duas vezes com o mesmo sistema, e sim desenvolver um sistema útil e que seja inteligente e interessante para todos.

Segundo o Diretor de Serviços da BRQ, Guilherme Müller, quando se refere a “Fábrica de Software” afirma: “O conceito ainda é meio indefinido porque a criação de um software não é uma ciência precisa”, seguindo ainda “Quando o mercado começou a falar disso, era algo muito amplo, ia desde o momento em que o usuário inventava o software até recebê-lo pronto”. O termo software factory (fábrica de software em inglês) foi empregado pela primeira vez em 1969, pela japonesa Hitachi, mas só começou a ficar popular no início dos anos 90. A idéia era aplicar conceitos da indústria em geral em ambientes de desenvolvimento de software, de forma a aumentar a produtividade e diminuir prazos e custos.

“Fábrica de software, de forma geral, tem um escopo mais amplo; inclui análise, testes. Mas a parte de codificação é onde o conceito de ‘fábrica’ está mais maduro. Na minha opinião, o que faz mais sentido é associar o termo fábrica a projetos ou códigos – esclarece Guilherme.

Já para outros profissionais o mesmo termo tem outro significado ou um significado mais amplo, para o Diretor da Fábrica de Software da Stefanini, Francisco Silvia, o conceito de fábrica de software abrange mais do que a codificação. Segundo ele, o que identifica uma fábrica é um conjunto de processos e métodos bem desenvolvidos, levando a maior maturidade e produtividade e tornando o processo mais independente do fator humano. A Stefanini divide as fábricas de software em dois tipos: a fábrica pontual e a contínua.

“Quando um cliente, como um banco, demanda muito serviço de fábrica de software, nós criamos uma fábrica de software contínua para desenvolver só para esse cliente. Existe um conhecimento maior dos negócios do cliente, e com isso a produtividade para ele acaba aumentando. Já nas fábricas pontuais, nós podemos trabalhar apenas uma vez com uma empresa e não ter nenhum envolvimento com a parte de negócios. Esse tipo de fábrica é mais independente – explica Francisco.

Tanto BRQ como Stefanini são consultorias de TI. Qual é a relação entre estes dois serviços? Segundo Francisco, a fábrica de softwares está sob o “guarda-chuva” da consultoria: a primeira trata de apenas algumas etapas da área, enquanto a segunda abrange desde planejamento estratégico até analise de processos. “Os consultores levam as melhores práticas ao cliente, e uma dessas práticas pode ser o uso da fábrica de software – diz.

Guilherme acrescenta que, algumas vezes, o trabalho da consultoria de TI é necessário antes que o cliente contrate a fábrica de software. “É preciso que o contratante tenha um certo nível de maturidade, saiba escrever seus requerimentos corretamente. Não é qualquer cliente que contrata a fábrica. Para empresas muito imaturas, nós preferimos vender primeiro o serviço de consultoria, para ajudar a definir melhor os objetivos e os detalhes e também para ‘falar a mesma língua’ da fábrica – justifica.

Podemos tirar disso tudo a experiência de que cada software assim como o projeto são únicos, cabível de utilização por vários usuários que possuam as mesmas necessidades, partindo desse principio serão coletados os dados, estipulados os prazos para as entregas das etapas do projeto, divisão das responsabilidades dentro do mesmo, e tudo isso é muito particular de um projeto para outro. Alguns profissionais acham que o termo “Fábrica de Software” envolve de forma abrangente todo o processo, já outros conceituam como a parte de codificação em si. Após a leitura do texto acredito que uma terceira opinião acaba de formar-se, pois além de toda a metodologia que se aplica a Fábrica agregamos nossas experiências práticas como profissionais de TI e mais uma vez a evolução no termo acaba ocorrendo, comprovando a dificuldade em se definir o mesmo e por que o termo Fábrica de Software possui tantos significados.

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